quarta-feira, 17 de abril de 2013

Adubação do Coqueiro



A nutrição equilibrada do coqueiro constitui-se em pré requisito de
 fundamental importância para que se obtenha uma produção
adequada. A determinação da necessidade de adubação
e/ou calagem do coqueiral, deverá ser realizada tomando-se
como base a análise do solo e foliar.
Análise de solo - para áreas já implantadas, recomenda-se a
 coleta de amostras na projeção da copa das plantas, que
 corresponde a um raio de 2m a partir do estipe.
 Deve-se coletar 20 sub amostras, tomadas a uma profundidade
de 0 a 20 e 20 a 40 cm, para uma área homogênea de 10ha
 aproximadamente. As amostras coletadas nas entrelinhas
}devem ser tomadas a uma profundidade de 0 a 20cm,
 e tem como objetivo avaliar a acidez do solo, para possível
correção através da calagem.
Análise foliar – as folhas a serem amostradas devem estar 
localizadas no meio de copa dos coqueiros.
 De acordo com a idade e desenvolvimento das plantas,
 são normalmente coletadas as folhas de número
 4, 9, e 14, contadas a partir da folha mais nova e que se
encontra com folíolos diferenciados constituindo-se
assim a folha número 1. Em coqueiros jovens a
contagem é feita, a partir da folha número 1 até aquela
que se quer amostrar.
Em plantas adultas, deve-se
localizar as folhas de cujas axilas encontram-se a
inflorescência mais recente aberta (folha 10), a qual,
está situada numa posição quase que oposta (1600)
àquela que dá origem a uma inflorescência mais
próxima da sua abertura (folha 9).
O passo seguinte será a identificação da folha 14 que
dá origem a um cacho com frutos médios do tamanho
 de um punho fechado, e que encontra-se localizada
 no meio da copa logo abaixo da folha 9, apresentando
assim maior projeção sobre o solo.
Para correta identificação, deve-se observar a posição
das inflorescências e cachos, os quais se desenvolvem
 sempre de um mesmo lado da folha.
Identificada a folha a ser amostrada, devem ser
coletados três folíolos de cada lado da sua parte
 central, amostrando-se apenas 10cm, posteriormente
acondicionado em saco de papel.
As amostras devem ser coletadas a partir de áreas
 homogêneas com aproximadamente 10ha, tomando-se
 25 plantas para compor uma amostra de coqueiros
de origem genética desconhecida, 20 plantas
para coqueiros híbridos e 15 planta para coqueiros anões.
As amostras devem ser coletadas no início do período seco
, entre 7 e 11h da manhã. Quando há ocorrência de
 precipitação superior a 20mm torna-se necessário
aguardar 36h para nova coleta de folhas.
Após a coleta o material deve ser enviado para
laboratório no mesmo dia. Quando não for possível
deve-se manter as amostras em refrigerador com prazo
 máximo de 3 dias após a coleta.
A amostra deverá conter nome do proprietário
e da propriedade, posição da folha amostrada,
idade da planta, data de coleta, localização da amostra no plantio.

Tabela 1 . Principais sintomas de deficiência mineral
e correção do estado nutricional em coqueiros.
Nutrientes
Sintomas
Aparecimento dos sintomas
Correção
Nitrogênio
  • amarelecimento gradual nas folhas do coqueiro.
  • diminuição do número de flores femininas.
  • em estágio avançado, há um decréscimo do número e tamanho das folhas e estreitamento do estipe, causando o que se chama “ponta-de-lápis”.
* estes sintomas têm como causas a baixa pluviosidade, as condições de solo desfavoráveis à mineralização do N e a presença de ervas daninhas, na área do plantio.
*das folhas mais velhas para as mais novas.
*adubação nitrogenada à base de uréia, sulfato de amônio e/ou adubação orgãnica, ou quando for o caso drenagem do solo e eliminação de gramíneas..
Fósforo
  • diminuição do crescimento da planta.
* folhas com coloração verde mais escura.

*adubação com superfosfato simples em solos com teor baixo de enxofre e com superfosfato triplo e rochas fosfatadas.
Potássio
Na folha:
  • aparecimento de manchas cor de ferrugem nos dois lados do folíolo.
  • pequeno amarelecimento dos folíolos, sendo mais intenso na extremidade, as quais podem tornar-se escurecidas.
Na planta:
  • amarelecimento das folhas no meio da copa e posterior secamento das folhas mais velhas.
* as folhas mais novas permanecem verdes.
*das folhas mais velhas para as mais novas.
*adubação com cloreto de potássio ou outra fonte deste elemento.
Cloro
  • inicialmente os folíolos ficam amarelados e com manchas alaranjadas, e a seguir, secam nas margens e nas extremidades.
* diminuição do tamanho dos frutos.
*folhas mais velhas.
*adubação com cloreto de sódio, caso estas não estejam sendo adubadas com cloreto de potássio.
Cálcio
  • folíolos com manchas amarelas arredondadas, tornando-se marrom no centro.
*manchas uniformemente distribuídas nos folíolos.
  • a partir da folha no 4, essas manchas concentram-se nos folíolos da base da folha
* manchas marrons também podem aparecer na base da ráquis foliar.
*primeiro aparecem nas folhas no 1, 2 e 3, progredindo para as folhas mais velhas.
*aplicação de calagem e /ou gessagem para suprir a deficiência
Magnésio
  • nas partes extremas do folíolo e expostas ao sol, o amarelecimento é mais intenso, enquanto que próximo à ráquis da folha os folíolos permanecem verdes.
* em caso de deficiência severa, ocorre a morte do tecido nas extremidades dos folíolos, que ficam amarelo-escuros. Neste estádio, observa-se manchas que deixam passar a luz.
*folhas mais velhas
* utilização da calagem ou utilizando-se adubos magnesianos
Enxofre
No coqueiro jovem
  • folhas amarelas e alaranjadas, podendo tornar-se escuras nas extremidades dos folíolos, com o agravamento da deficiência.
No coqueiro adulto
  • redução no número de folhas vivas, que amarelecem.
* tombamento das folhas mais velhas devido ao enfraquecimento da ráquis.
*folhas mais novas
Adubação com fertilizantes à base de enxofre.
Boro
* folíolos apresentam-se juntos pela extremidade
* com a progressão da deficiência, os folíolos da base das ráquis diminuem de tamanho, podendo inclusive desaparecer
* nos casos mais graves, o ponto de crescimento deforma-se completamente, e paralisa o desenvolvimento da planta, podendo causar sua morte.
*folhas mais novas
* coqueiro jovem – aplicação de 30g de bórax na axila da folha no 4 da planta com sintomas.
* coqueiros adultos – aplicação no solo de 50 gramas de bórax por planta com sintomas
Cobre
* a ráquis da folha torna-se flácida e em seguida enverga.
* quase simultaneamente, os folíolos começam a secar as extremidades, passando do verde ao amarelo e, por fim, ao marrom – aspecto queimado.
* quando a deficiência se agrava, a planta seca completamente e as novas folhas emitidas são pequenas e amarelas.
* a deficiência é mais comum em plantas com até dois anos de idade.
*folhas novas
* em solos com baixo teor de cobre no solo, deve-se aplicar na cova de plantio 20 g de Sulfato de Cobre misturando-se bem à terra antes de preencher a cova.
* em plantas com idade entre um e dois anos aplicar 100g de sulfato de cobre por planta com sintomas.
Fonte: SOBRAL (1998).
Análise foliar
Os níveis críticos dos macronutrientes N, P, K, Ca e Mg nas folhas
n
o s 1, 4, 9 e 14 dos coqueiros-gigante e híbridos são mostrados
 na Tabela 2. Para os micronutrientes, os níveis críticos na
folha no 14 em mg kg
-1 são os seguintes: Boro -
10; Mn - 100; Zn - 15; Cu - 5 e Fe - 40.
Tabela 2. Níveis críticos de N, P, K, Ca, Mg e S
em posição da folha do coqueiro-gigante e coqueiro-híbrido.
Nutrientes
Posição da folha
4
9
14
Variedade
Gigante
Híbrido
Gigante
Híbrido
Gigante
Híbrido
-----------------------------g kg-1 MS -------------------------
N
22,0
22,0
22,0
22,0
18,0
22,0
P
1,3
1,4
1,3
1,3
1,2
1,2
K
17,5
20,0
11,5
17,0
8,0
14,0
Ca
3,4

4,4

5,0

Mg
2,2
2,4
2,4
2,3
2,4
2,0
S

1,7

1,5
1,5
1,5


Fonte: SOBRAL (1998).
Calagem
Na cultura do coqueiro, a calagem pode ser efetuada na área como um todo,
 localizada na projeção da copa e na cova de plantio.
 Caso o alumínio esteja acima de
5mmolc.dm-3 de solo, a calagem deve
 ser efetuada na área toda, no sentido de reduzir a toxidez. Vale salientar
que em solos arenosos, a quantidade de calcário não deve ultrapassar
 
2 t ha-1. Na hipótese de alumínio, cálcio e magnésio baixos, a calagem
deve ser efetuada na área do círculo, que tem como centro o estipe e
como limite a projeção da copa. Nos dois métodos, a incorporação é importante,
pois favorece as reações de dissolução do calcário.
O espaço de tempo entre a calagem e a adubação, deve ser de, no mínimo,
60 dias.
A aplicação de calcário na cova de plantio é recomendada
para evitar que a presença
do 
Al+3 iniba o crescimento radicular.

Adubação
Em solos onde o teor de P no solo é menor que 10mg dm -3,
é recomendável misturar com o volume de solo a ser utilizado
para encher a cova de plantio, 800g de superfosfato simples.
A Tabela 3, contém doses de N, 
P2O5 e K2O para os coqueiros
 gigante e híbridos desde a implantação até a fase adulta,
nta. Com estas relações, pode-se calcular uma fórmula comercial.
 Para facilitar fazemos a quantidade de N igual a de 
K2O.
A quantidade remanescente  de N seria aplicada na forma
de uréia. Assim, teríamos em g planta–1: N-1200;
P2O5 —400 eK2-1200. A proporção seria 3-1-3.
Dividindo-se esta relação por 2,
tem-se 1.5-1.1.5 que corresponde a uma fórmula 15-10-15.
Para alcançar os níveis de }
N, 
P2O5 e K2Orecomendados na última linha da tabela 4,
seriam necessários 8kg de
 fórmula 15-10-15 e mais 330g de uréia.
Em plantios de sequeiro, os fertilizantes poderão ser aplicados em
ose única no final do período chuvoso.
Em locais planos, os fertilizantes devem ser aplicados e incorporados
para evitar perdas de nitrogênio por
 volatilização, principalmente quando a fonte do nutriente for a uréia.
Em plantios irrigados e que disponham de injetor de fertilizantes,
tanto o N quanto o K podem ser
aplicados via fertirrigação. Na utilização desta técnica, é aconselhável
verificar se as doses calculadas estão e
fetivamente chegando às plantas, pois diferenças de pressão e
eventuais resíduos oriundos da incompleta
issolução dos fertilizantes, podem influenciar na distribuição
correta das quantidades. Isto pode ser feito
através da coleta de amostras de solução, nos emissores.
As amostras deverão ser coletadas em
 recipientes previamente lavados com água desmineralizada
 e enviadas ao laboratório para análise.
Nas tabelas 4 e 5, são
apresentadas recomendações de N, P e K para o
coqueiro anão irrigado.
Tabela 4 . Recomendações de N, P e K para o
coqueiro anão irrigado, em formação,
com base na análise foliar para N e de solo para P e K.
Ano
P resina, mg dm-3
K trocável, mmolc dm-3

N g planta-1
0 - 12
13 a 30
> 30
< 1,6
1,6 – 3,0
> 3,0
P2O5 , g planta-1
K2O , g planta-1
0 – 1


1 – 2
2 - 3
450
-


200
300
-


150
200
-


100
100
600


900
1200
400


700
900
200


500
600
N na folha 1, g kg-1
< 16
16 - 20
> 20
600
900
450
750
300
600
Fonte: SOBRAL (2002).

Tabela 5 . Recomendações de N, P e K para o coqueiro anão irrigado
em produção, com base na análise foliar para N e de solo para P e K,
considerando a produtividade esperada (205 plantas/ha).
Produtividade esperada, 1.000 frutos ha-1

N em folha, g kg-1
(Folha 14)
P resina, mg dm -3
K trocável, mmolc dm -3
<16
16-20
>20
0-12
13-30
>30
<1,6
1,6-3,0
>3,0

N, kg ha-1
P2 O5, kg ha-1
K2O, kg ha-1
<20
180
120
80
80
60
20
200
150
100
20 – 30
220
180
100
100
70
30
250
200
120
30 – 40
260
200
120
120
90
40
300
240
150
40 – 50
300
220
140
140
100
50
400
300
180
>50
360
250
160
160
120
60
500
350
200
Fonte: SOBRAL (2002).
Na tabela 6 são mostradas recomendações de adubação com os micronutrientes B, Zn, Mn e Cu, com base
 na análise de solo.
Tabela 6 . Recomendações de micronutrientes para o coqueiro, em produção
com base na análise de solo.
Nutriente/Método de Análise
Teor no solo mg dm-3
Quantidade do fertilizante em g planta-1 ano-1
B (Água quente)
0 a 0,2 > 0,2
Bórax – 50
-
Mn (DTPA)
0 a 1,2 > 1,2
Sulfato de Manganês - 200
Cu (DTPA)
0 a 0,2 > 0,2
Sulfato de Cobre – 100
Zn (DTPA)
0 a 0,5 > 0,5
Sulfato de Zinco – 200
Fonte: SOBRAL (2002).
A economicidade da adubação do coqueiro, pode ser inferida de maneira prática,
considerando-se a quantidade de
 frutos necessários para cobrir os custos com os fertilizantes. A relação preço
do coco/preço do fertilizante,
 tem forte influência na rentabilidade da fertilização, pois, quando a mesma é favorável,
um menor número de
 frutos é necessário para cobrir os custos do fertilizante.
Entretanto, quando o preço do coco está baixo, ou o preço
 dos fertilizantes está alto, a citada relação torna-se desfavorável
ao produtor, e é necessário um maior número
 de frutos, para cobrir os custos da adubação, diminuindo a rentabilidade.
O produtor deve sempre lembrar q
ue os efeitos diretos do fertilizante no aumento de produção do
coqueiro, somente ocorre dois a
nos após a adubação. Como consequência deste fato
os financiamentos de custeios para cultura do c
oqueiro devem ter prazo mínimo de dois anos.
Fonte:http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Coco/ACulturadoCoqueiro/adubacao.htm

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