sexta-feira, 19 de abril de 2013

Coqueiro muito mais produtivo


Produtores do Nordeste serão incentivados a substituir práticas extrativistas por manejo intensivo

14 de outubro de 2009 | 4h 19
Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo
Introduzido no Brasil por volta de 1553 e bem adaptado ao solo arenoso do litoral nordestino, o coqueiro gigante - de onde se extrai o coco seco, usado para fazer coco ralado e leite de coco - é a fonte de renda básica de pequenos produtores da Região Nordeste. Cultivada, porém, em sistema semi-extrativista, a rústica planta está produzindo cada vez menos no Nordeste e, consequentemente, reduzindo a remuneração do produtor.


RUSTICIDADE - Espécie é plantada normalmente em solos de baixa feritilidade que não recebem tratamento adequado. Em áreas bem manejadas, planta pode produzir por até 80 anos
Hoje, o coqueiro gigante ocupa 209 mil hectares no País - concentrados no Nordeste - e está plantado em solos de baixa fertilidade. "O coqueiro gigante é de grande importância social e econômica no Nordeste, porque, além de ser a principal fonte de renda da família, é ideal para propriedades com até dez hectares", diz o pesquisador Humberto Rollemberg Fontes, da Embrapa Tabuleiros Costeiros.
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Para tentar reverter esse quadro, a Embrapa Tabuleiros Costeiros deu início, recentemente, ao projeto Rede de transferência de tecnologias para revitalização das áreas cultivadas com coqueiros nos tabuleiros costeiros e baixada litorânea do Nordeste. Com duração inicial de três anos, o projeto vai difundir tecnologias simples e baratas para produtores de seis Estados - Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Sergipe. O projeto vai, em cada um desses Estados, capacitar técnicos, que serão os multiplicadores das tecnologias junto aos produtores. Cada Estado terá áreas demonstrativas, para que o produtor compare uma área bem manejada a uma área cultivada em sistema extensivo.
"Os produtores, infelizmente, estão acostumados ao manejo extensivo. Não sabem o que é análise de solo, adubação racional, manejo de pragas. Como não investem em tratos culturais, gastam pouco, mas também produzem pouco. Os coqueirais do Nordeste estão velhos e pouco produtivos", diz Fontes.
O coqueiro gigante tem vida útil de mais de 50 anos e produz o ano todo; normalmente, o produtor faz quatro colheitas por ano. A planta emite um cacho por mês e o cacho de uma planta bem manejada dá até 15 frutos. No entanto, a média de produção no Nordeste é de 30 frutos/planta/ano. A meta é, pelo menos, dobrar essa produção, para uma densidade de 100 plantas/hectare. "Uma análise de solo significa muito no Nordeste. Uma adubação simples, ajustada às necessidades do solo, dá resultados já no segundo ano."
PRAGAS E DOENÇASO monitoramento fitossanitário também será estimulado. "Hoje, o produtor simplesmente não trata um coqueiro doente", avalia Fontes, acrescentando que cada parte da planta tem uma broca específica. "Tem a broca-do-tronco, a broca-do-olho, que ataca folhas jovens, e a broca-do-cacho. Cada uma tem uma forma de controle, mas ninguém controla." Por isso, os multiplicadores vão repassar informações sobre iscas atrativas naturais e ensinar a racionalizar as pulverizações de químicos, conforme o nível de infestação, estimulando o monitoramento da área. "É um hábito simples, que todos podem fazer."
Os multiplicadores vão difundir, ainda, conceitos de adubação mínima - baseada em análise de solo - e adubação verde. "Muitos não sabem o que é cobertura de solo. Vamos repassar esta e outras técnicas conservacionistas."
CONSÓRCIO
Outra frente do projeto é o aproveitamento do espaço entre as plantas para a adoção de plantio consorciado, sobretudo com milho, feijão e mandioca, culturas de subsistência na região. "O consorciamento diversifica a produção e melhora as condições de solo, já que as lavouras são conduzidas de forma mais intensiva. Exigem, ao menos, análise de solo."
Fontes explica que os técnicos vão avaliar, primeiro, junto com o produtor, se a recuperação é viável. "Conforme a idade e a situação da planta e as condições do solo, opta-se por recuperar ou renovar a área. Não queremos que o produtor invista em uma área que não vale a pena."


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