sábado, 13 de abril de 2013

Estudo do Coqueiro e Suas Propriedades



Nome científico: Cocos nucifera L.
Família: Palmae
Origem: Índia/Ásia
Características da planta: palmeira inerme, solitária, de estipe cilindra, lisa, podendo chegar até a 20 m de altura. Folhas de até 3 m de comprimento, com bainha de fibra grosseira e cor castanha, pecíolo longo e cerca de 100 pinas (folíolos) distribuídas em intervalos regulares. Fruto de forma ovóide, com cerca de 15 cm de diâmetro que, quando maduro, apresenta coloração castanha; possui polpa abundante de até 2 cm de espessura e a cavidade central contém um líquido aquoso ou leitoso, conhecido como agua-de-côco.
Características da flor: flores unissexuais, reunidas em inflorescência ramificada (espádice) que se forma na axila de cada folha. A espádice encerra-se em uma larga espata lenhosa, que é composta por uma raque em que, em seus dois terços superiores, situa-se um aglomerado de flores masculinas pequenas, medindo apenas alguns milímetros, de coloração brancacenta ou amarelo-claras e situam-se na parte basal da raque.

*fonte: Flores do Alimento - Silvestre Silva - Empresa das Artes - 1997
Melhores variedades: anão - verde e pernambuco.
Época de plantio: início das chuvas.
Espaçamento: 8 x 8m.
Mudas necessárias: 156/hectare.
Covas: 80 x 80 x 80cm.
Combate à erosão: plantio em curvas de nível.
Culturas intercalares: arroz, feijão, milho, soja, durante a formação.
Adubação:
na cova: colocar no fundo, até 1/3 da profundidade, uma camada de cascas e fibras de, coco, lixo, folhas etc ., misturadas com terra da superfície; o restante da cova ser  preenchido com 30 litros de esterco de curral, 1.000g de calcário dolomítico, 500g de fosfato natural e 300g de cloreto de potássio, misturados com terra da superfície; na frutificação, em março e novembro, em cobertura , ao redor das plantas, em um raio de 1,5-2m: 400g de sulfato de amônio; 300g de superfosfato simples; 200g de cloreto de potássio; 20 litros de esterco de curral.

Tratos culturais: roçadas e coroamento.
Combate à moléstias e pragas:
ceratostomela (fungo que causa a queda das flores e podridão do pedúnculo dos frutos ) : pulverizar os cachos com Dithane M-45 a 2% a cada 20 dias.

Época de colheita: o ano todo.
Produção normal: 50 - 60 frutos/planta/ano.
Observações: cultura permanente. Preferir terras férteis, com altitude inferior a 500 metros.
Uso Nutricional
O coco é uma árvore da qual tudo se aproveita. No Brasil, o coco é usado verde para beber a água, que é a mais pura, nutritiva e completa bebida que a natureza produz nos trópicos. O ponto ideal para se beber a água coco do verde, é em torno de 6-7 meses depois que os frutos começarem a aparecer. Nessa fase se encontra a maior concentração de sacarose, depois esta tende a diminuir, na medida em que o coco amadurece. O principal constituinte da água, é o potássio, que varia de acordo com a quantidade encontrada nos solos.
A carne do coco maduro é um alimento importante na culinária dos países tropicais. O leite ou creme obtido do coco fresco ralado, serve como base no preparo de diversos pratos, tanto na culinária doméstica, quanto na comercial. A Bahia é o estado brasileiro onde o coco encontra sua maior expressão.
No processo de extração do óleo de coco, a torta resultante é rica em proteína de 18 a 25% e em fibras. Porém, pelo processo de industrialização, que utiliza altas temperaturas, se produz a desnaturação da proteína, que não fica adequada para o uso humano, sendo usado para a alimentação de ruminantes. O bagaço resultante da extração caseira do leite ou óleo de coco, por não utilizar o processo industrial, pode e deve ser usado na confecção de bolos, pães, etc., pois ela é rica em proteínas e fibras. De fato, em vários Centros de Pesquisa da Índia, Inglaterra, Filipinas e EUA, esforços estão sendo feitos para produzir, para consumo humano, proteína, óleo e outros produtos a partir do coco maduro fresco.
A farinha de coco na Índia e nas Filipinas, é preparada a partir da extração do óleo para ser usada na alimentação, especialmente em padarias e merenda escolar, podendo substituir a farinha de trigo e leite, sem gordura em até 5%, sem afetar o valor e a qualidade do produto.
Coco seco é outro produto muito usado na indústria de alimentação. O coco seco, bem processado deve ser crocante, branco, com um sabor agradável e doce do coco. O valor nutritivo é aproximadamente o seguinte: gordura 67,50%, carbohidratos 5,9%, proteínas 9,3%, sais minerais 2,4% e fibras 3,9%.
Óleo de coco: para uso doméstico, é preparado a partir do leite de coco fresco esquentado; com o calor, o óleo se separa, então é retirado e coado.
Em nível industrial, é utilizado o processo hidráulico junto com solventes químicos.
Óleos ricos em ácido láurico, como o de coco, têm boa demanda na indústria de alimentos e na química, devido a sua "baixa rancidade", sua facilidade de derreter e sua habilidade de formar emulsões estáveis e espuma. Esses fatores têm levado o óleo de coco a ser usado como óleo de cozinha, gordura vegetal, substituto de gordura do leite em margarinas, biscoitos, bolos, sorvetes e cremes para bolos, também substituto da manteiga de cacau. Aliado a isso, o óleo de coco tem um maior "grau de digestibilidade", que qualquer gordura, incluindo a manteiga e isso é devido a seu alto percentual de glicerídios assimiláveis (91%). Por isso foi usado como substituto da manteiga, especialmente na confecção de margarina, porém com a introdução de óleos hidrogenados na confecção de margarina e gorduras vegetais, o óleo de coco perdeu seu lugar privilegiado na indústria alimentícia, especialmente a partir da preocupação de usar óleos poli-insaturados para evitar as doenças coronárias, por aumento do colesterol. No entanto, estudos feitos com grupos na Polinésia, que utilizam grande quantidade de óleo de coco na sua comida, encontraram uma menor taxa de gordura no sangue que o grupo que consumia uma dieta no estilo europeu. Por isso o consumo de gorduras saturadas ou insaturadas na influência do nível de colesterol no sangue, ou de doenças coro-nárias, deve ser analisada no contexto geral da dieta e do estilo de vida das pessoas.

Uso Medicinal
A água de coco é usada como diurético. Por seu alto conteúdo em sais minerais, é usada nos casos de diarréia e cólera. Por ser estéril, pode ser usada em caso de emergência para hidratação parenteral (na veia). Experiência nesses sentido foi feita em Bangok, Tailândia.
A água de coco com farinha de arroz, feito cataplasma, é usada na China, em feridas gangrenosas e cabeça de prego (furúnculo).
Em Curaçao, o leite de coco feito na hora e a carne do coco maduro, são usados para matar vermes. O leite de coco é usado, também externamente, para tratar mastites (inflamação das mamas) e erisipelas (vermelhão).
O óleo de coco é usado, com sal, para gripes e garganta inflamada, é também um bom meio para fazer massagem.
A raiz do coqueiro, considerada adstringente, é utilizada para baixar a febre, para diarréias e desinterias; em casos de aumento do fluxo menstrual e em gargarejo para aliviar a dor de dente.
O cabelo de coco, depois de fervido, é efetivo contra diarréias e sapinhos.
No Sri Lanca, as raízes são torradas feito pó e usadas como pasta de dente. Também são utilizadas como desinfetante para feridas e para gargarejar nos problemas de boca e garganta.

Composição Química
A água de coco verde é composta de água 95,5%, proteína 0,1%, gordura - de 0,1%, carbohidratos 4%, cálcio 0,02%, fósforo - 0,01%, ferro 0,5%. A proteína do coco tem uma proporção dos aminoácidos arginina, alanina, cisteína (essenciais) e serina maior do que aqueles encontrados no leite de vaca, daí que em alguns lugares das Filipinas, esta água é usada para alimentar crianças pequenas. Presença de vitamina C pode variar de 2,2 a 3,7 mg/%, e vai diminuindo na medida em que o coco amadurece. Possui também vitaminas do complexo B em pequena proporção. Os sais minerais são iodo 105mg, potássio 312mg, cálcio 29mg, magnésio 30mg, ferro 0,10mg, cobre 0,04mg, fósforo 37mg, enxofre 24mg e cloro 183mg/100ml.
O óleo de coco possui os seguintes ácidos graxos: ácido capróico 0,3-0,8%, caprílico 5,5-9,5%, cáprico 4,5-9,5%, láurico 44-52%, mirístico 13-19%, palmítico 7,5-10,5%, esteárico 1-3%, araquídico até 0,04%, oléico 5,8%, linoléico 1,5-2,5%.
O óleo de coco é rico em óleos saturados, em especial ácido láurico e mirístico e contém uma grande porcentagem de glicerol.
O glicerol é importante para o organismo, pois com ele o corpo produz ácidos graxos saturados ou insaturados, de acordo com suas necessidades. O glicerol é, também, um emulgato dai seu uso na produção de cremes e pomadas. De todos os óleos vegetais de uso industrial o de coco tem o mais alto valor de saponificação e o mais baixo valor de iodo e de refração, o que significa que o óleo de coco é excelente para o preparo de pomadas cremosas.
A água de coco contém um fator de crescimento e é utilizado em alguns laboratórios como meio de cultivo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário