terça-feira, 9 de abril de 2013

PRODUÇÃO DE COCO AUMENTA 25% EM SP



Segundo a Secretaria da Agricultura, 632,6 mil coqueiros de um total
de 820 mil no Estado ainda não produzem


Árvore típica das praias nordestinas, os coqueiros estão se proliferando rapidamente
no Centro-Sul do país.
A recente valorização a alimentos saudáveis e naturais está elevando o consumo da
água-de-coco, dando sustentação ao plantio em Estados pouco tradicionais nessa
 produção, como os da região Sudeste.
Segundo pesquisa realizada pela Secretaria da Agricultura de São Paulo, a produção
de coco no Estado deverá aumentar cerca de 25% este ano, atingindo 10,3 milhões
de unidades.
O levantamento aponta ainda que há 820 mil coqueiros em propriedades no território
 paulista.
Desse total, 632,6 mil ainda não estão dando frutos, o que significa que a produção
 deve aumentar consideravelmente nos próximos anos.
Não há dados oficiais sobre a área ocupada pela cultura em São Paulo.
Mas, segundo técnicos ouvidos pela Folha, o adensamento médio é de 235 plantas/ha.
Se os cálculos estiverem corretos, São Paulo tem, aproximadamente, 3.850 ha plantados.
O número ainda está muito longe dos 234 mil ha plantados com coco na Bahia, que tem
a maior área destinada à cultura no país.
O segundo no ranking brasileiro do coco é o Ceará, que tem 70 mil ha de coco.
No Centro-Sul, o destaque fica com o Espírito Santo, que planta 25 mil ha.
Segundo o pesquisador José Antonio Alberto da Silva, da Estação Experimental de
 Citricultura de Bebedouro, o custo de produção em São Paulo ainda é mais alto
do que o registrado no Nordeste, sobretudo por conta do clima.
A cultura vem crescendo em regiões mais quentes do Estado, caso do norte
e do noroeste. O clima seco, porém, demanda irrigação, o que torna mais caro produzir.
"Mesmo assim, a proximidade com o mercado consumidor acaba compensando
 esses custos", afirma o consultor Luiz Ângelo Mirizola Filho.
Segundo ele, o produtor paulista recebe, em média, entre R$ 0,70 e R$ 0,80 por fruta.
 No Ceará, a cifra fica em torno de R$ 0,15.
Mirizola estima que o consumo de água de coco tenha crescido ao redor de 300% nos
últimos cinco anos, representando hoje aproximadamente 440 milhões de litros.
"Isso representa 4% do mercado total de refrigerantes. Podemos fazer esse número
crescer rapidamente para algo entre 6% e 7%", afirma
Gigante e pequeno comemoram 
Além de ser comercializada em sua embalagem natural (a própria fruta),
 um volume significativo de água-de-coco está sendo vendido em caixinhas
com 200 ml.
A Socôco produz hoje cerca de 6 milhões de unidades/mês da bebida,
 utilizando as marcas Socôco e Kero-Coco.
"Desde o seu lançamento, o produto foi um sucesso", afirma a gerente de
marketing da empresa, Katia Rodrigues.
Ela conta que o primeiro lote de água-de-coco produzido pela Socôco foi de
144 mil unidades, e não foi necessária uma campanha intensa de marketing
para promover as vendas.
Diferentemente do produto vendido nas ruas, a água, diz ela, é extraída do
coco maduro, não do fruto ainda verde.
Isso porque o coco ralado e o leite-de-coco, carros-chefes nas vendas da
empresa, são fabricados a partir da polpa da fruta.
A Socôco tem atualmente 550 mil coqueiros em produção, a maior parte deles
 no município paraense de Moju. A produção diária dessas árvores, segundo Katia,
 é de 250 mil frutas.
Com números mais modestos, o agricultor Jacimar Alves de Menezes,
de Souza (PB), também descobriu no coco uma boa fonte de renda.
Além de comercializar a fruta, ele está vendendo sementes certificadas
para o produtor de mudas paulista Nelson Barreto.
"Consigo tirar com o coco uma renda mensal de R$ 1.100, o que é um
 dinheirinho muito bom para quem mora nesta região", diz
Coqueiro-anão é o mais plantado 
O coqueiro-anão é a espécie mais cultivada em São Paulo,
assim como nos demais Estados do Centro-Sul.
Isso ocorre porque seus frutos contém mais água do que outras espécies,
como o coqueiro-gigante.
O principal destino da produção é a venda do fruto verde para o consumo
da água-de-coco.
Segundo José Antonio Alberto da Silva, da Estação Experimental de Citricultura
de Bebedouro, o coco se tornou uma opção para vários pequenos produtores de
citros, de café e de cana da região.
"É uma maneira de diversificar a produção. O agricultor não fica dependendo
apenas do desempenho de uma cultura para garantir sua renda", afirma.
Esse é o caso de Nelson Barreto, agricultor em Ocauçu, na região de Marília,
 no interior paulista.
Há cerca de nove anos, ele plantou os primeiros coqueiros em sua propriedade,
 intercalando-os em seu cafezal, que tem 17 ha.
Hoje, tem 3.300 árvores, das quais 1.200 estão em fase de produção.
 Ele consegue extrair cem cocos de cada uma por ano.
Hoje, o coco é a principal fonte de renda para o cafeicultor Barreto, que,
além de vender a fruta, ainda comercializa mudas da planta.
Um de seus clientes, o pecuarista Ricardo Maggi, de Campos Novos Paulista
 (SP), também decidiu investir na cultura.
Ele comprou recentemente 18 mil mudas de Barreto, que devem iniciar sua
produção em três anos. Maggi pretende usar 120 ha de sua propriedade.
Estatística em São Paulo (de acordo com o Insituto de Economia Agrícola)
Número de árvores em produção: 1.999 (152.309) e 2.000 (198.845)
Produtividade (frutos por árvore): 1.999 (55,07) e 2.000 (55,22)
Produção (em milhões de frutos): 1.999 (8,387) e 2.000 (10,373)
Principais cidades produtoras (em milhões de frutos): Jaboticabal (2,1), Marília (1,6) e Pindamonhangaba (1,2)

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