segunda-feira, 6 de maio de 2013

Seleção de cultivares de coqueiro para diferentes ecossistemas do Brasil.


Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Seleção de cultivares de coqueiro para diferentes ecossistemas
do Brasil.
Wilson Menezes Aragão1
Evandro Almeida Tupinambá2
Paula Cristina da Silva Ângelo 3
Francisco Elias Ribeiro2

Introdução
O coqueiro é a palmeira de maior importância sócio-econômica das regiões
intertropicais do globo terrestre. Pela magnitude dos produtos obtidos das
diferentes partes da planta, pode-se afirmar que do coqueiro tudo se aproveita.
Entretanto, os principais produtos são oriundos dos frutos, como a copra, óleo,
ácido laúrico, leite de coco, farinha, água de coco, fibra e ração animal. Além
disso, o coqueiro desempenha um papel importante na sustentabilidade dos
ecossistemas frágeis das ilhas e regiões costeiras do mundo tropical, devido a
seu crescimento e desenvolvimento em ambientes com alta salinidade, secos,
dotados de solos com baixa fertilidade natural e em atois, onde poucas plantas
são capazes de sobreviverem.
A cultura do coqueiro tem uma importância social muito grande pelos
empregos que gera e, principalmente, porque é cultivada, na sua maioria, por
pequenos agricultores, em pequenas propriedades dotadas de solos arenosos
com baixa fertilidade natural. Atualmente, 96% da produção mundial de coco, são
provenientes de propriedades com 1,0 a 5,0 ha, envolvendo aproximadamente 50
milhões de pessoas. Somente na Ásia, 30 milhões de pessoas dependem
diretamente da cultura do coqueiro para sua sobrevivência (Persley, 1992) No
Brasil são 500 mil pessoas. A cultura é perene, com vida útil econômica variando
de 30 a 80 anos de idade de acordo com a variedade cultivada, e produção
distribuída durante todo o ano. Além disso, favorece a consorciação com culturas
anuais e perenes em todas as fases de seu cultivo e manejo com animais na fase
adulta de exploração, barateando a sua implantação e representando mais uma
fonte de renda para o produtor. Todas estas características tornam a cultura do
coqueiro uma atividade que favorece a fixação do homem no campo.
O coqueiro é cultivado atualmente em 86 países, em área de 11,6 milhões
de hectares, com produção estimada de 35,8 milhões de toneladas de frutos. Os
países da América (30 países), detém apenas 7,3% dessa produção, destacandose o Brasil e o México como principais países produtores.
No Brasil o coqueiro é cultivado em área de 300.000 ha (área plantada)
com produção em 1997, segundo a FAO, de um bilhão de frutos. Noventa e
quatro por cento dessa produção é proveniente do Nordeste, região onde se
concentram as principais agroindústrias de coco do país e mais de 90% das
pessoas que dependem dessa cultura para sobreviverem. Entretanto, o coqueiro
1
 Eng.-Agr.,,DsC., Embrapa Tabuleiros Costeiros, Caixa Postal 44, 49001-970, Aracaju, SE
2
 Eng.-Agr.,,MsC., Embrapa Tabuleiros Costeiros, Caixa Postal 44, 49001-970, Aracaju, SE
3
 Biol., MsC, Embrapa Tabuleiros Costeiros, Caixa Postal 44, 49001-970, Aracaju, SERecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
está se expandindo para outras regiões do país, como o Norte, Centro-Oeste,
partes do Sudeste e Sul, e até para a região semi-árida do Nordeste, através de
projetos governamentais de fomento à cultura e principalmente, de projetos
privados. Portanto é considerada uma palmeira alternativa para o
desenvolvimento sustentável dessas regiões.
Nos principais países produtores, o coqueiro é explorado basicamente para
produção de copra (albúmen sólido desidratado a 6%) e óleo. As Filipinas, por
exemplo geram recursos da ordem de 1,5 bilhão de dólares com exportação
principalmente desses produtos para os EUA e a Comunidade Européia (Persley,
1992). Aqui a cultura é empregada quase que exclusivamente para a alimentação
humana in natura (água e uso doméstico) ou através de produtos industrializados
(farinha, leite e outros). Estima-se que 35% da produção de coco destina-se às
agroindústrias de alimentos e o restante é utilizado para água de coco e uso
culinário. Os produtos industrializados, coco ralado e leite de coco geram recursos
da ordem de 120 milhões de dólares e 10 mil empregos diretos.
Apesar da grande importância do coqueiro para o país, a sua produção é
extremamente baixa, isto é, em média 30 frutos/planta/ ano, independentemente
da pequena ou da grande propriedade, seja no Nordeste ou em outra região. Isto
tem acarretado sérios problemas para os diferentes segmentos que exploram a
cultura. Em primeiro lugar porque essa produção não atende a demanda; em
segundo porque, como conseqüência, há necessidade de importação do produto
de outros países. Conforme dados da FAO, o Brasil importa coco desidratado
desde 1973, contudo foi nesta década de 90 que esse processo foi muito
intensificado. Por exemplo, a importação desse produto em 1995 foi de 16845 t,
quantidade esta superior à demanda das principais agroindústrias brasileiras de
coco; terceiro porque, essa importação proporciona grande evasão de divisas do
país e quarto, porque a importação reduz acentuadamente o valor da produção
nacional de coco. Em 1995 o preço da noz para o produtor chegou a sete
centavos de real, quando o preço mínimo necessário para que o mesmo almeje
algum lucro é de 20 a 25 centavos. Todas essas situações desorganizam
completamente a exploração do coqueiro no Brasil.
Para se aumentar a produtividade de coco no Brasil a pesquisa na área de
melhoramento genético é de fundamental importância. Os recursos genéticos é a
estratégia mais urgente para se aumentar e produzir a estabilidade de produção
do coqueiro. Há a necessidade urgente de coletar e conservar as populações de
coqueiro anão e gigante naturalizados do Brasil. Essas populações foram
introduzidas a partir de 1553 pelos portugueses e atualmente o fenômeno da
erosão genética é cada vez mais intensa, causada pelo monocultivo da cana de
açúcar, agricultura tecnificada, agropecuária extensiva, projetos de turismo, o uso
indiscriminado do solo e da água e projetos de rodovias. Além disso, devido a
grande demanda por água de coco, o coqueiro anão esta sendo plantado junto ao
coqueiro gigante; como essas variedades se cruzam facilmente, dificultará a
coleta de populações uniformes e homogêneas dessas variedades.
A partir da coleta das variedades naturalizadas, da introdução das
variedades exóticas e da sua conservação no BAG de Coco, proceder-se-ão as
caracterizações morfológica e molecular, a seleção de cultivares, a avaliação
dessas cultivares através de experimentos multilocais e a propagação vegetativa
das mesmas, para que a curto, médio e longo prazos se introduzam essas
cultivares nos diversos sistemas de produção do Brasil, e assim torne a
exploração do coqueiro uma atividade produtiva e sustentável.Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Origem e distribuição do coqueiro
Existem diversas teorias sobre o centro de origem do coqueiro, entretanto,
em geral, são baseadas em evidências indiretas, e portanto apresentam
controvérsias. Até hoje não se conhecem os ancestrais do coqueiro. A hipótese
mais aceita é que o coqueiro se originou no Sudeste Asiático, principalmente nas
ilhas entre os oceanos Índico e Pacífico. Desta região foi levado para a Índia e em
seguida para o leste africano, e daí, para as Américas e toda a região tropical do
globo (Purseglove, 1972).
No Brasil, as evidências históricas indicam que o coqueiro gigante foi
introduzido pela primeira vez pelos portugueses em 1553. As introduções iniciais
dos anões ocorreram da seguinte forma: anão verde em 1925 de Java e em 1939
do Norte da Malásia; anão amarelo em 1938 e anão vermelho em 1939, ambos
provenientes também do Norte da Malásia. O anão vermelho de Camarões foi
introduzido a partir de 1978, procedente da Costa do Marfim.
O coqueiro tem uma distribuição pantropical, sendo cultivado (Fremond et
al, 1966), entre as latitudes 20o N e 20o S compreendendo 86 países situados
nos continentes Asiático (15 países), na Oceania (19 países), na África (22
países), na América do Norte e Central (22 países) e na América do Sul (8
países) (Persley, 1992). Entre esses continentes o Asiático e as ilhas do Pacífico,
detém em torno de 86% da produção mundial de coco, que segundo a FAO
(1990) foi de 36,8 milhões de toneladas em 1988. Já os países africanos e os das
Américas , apresentam apenas 5,1% e 7,3%, respectivamente, desta produção.
Na América Latina destacam-se o México e o Brasil como os principais produtores
de coco.
No Brasil, historicamente, o coqueiro é cultivado predominantemente no
litoral do Nordeste, local de sua introdução pelos portugueses nos meados do
século XVI. Este ambiente constitui o habitat ideal da cultura, pela pluviosidade
regular, proximidade do lençol freático, temperaturas ideais para exploração,
efeito benéfico da brisa marinha e ventos constantes impedindo ou dificultando o
estabelecimento de pragas e doenças. Contudo, a espécie apresenta grande
potencial de expansão para as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, podendo
inclusive ser explorada na região semi-árida do Nordeste. Principalmente neste
caso, devido ao elevado déficit hídrico e por outro lado a grande exigências de
água pelo coqueiro, há necessidade de uma irrigação mais sistemática.
Cultivares de coqueiro
O gênero Cocos é constituído pelo coqueiro (Cocos nucifera L.), a qual é
uma espécie diplóide com 32 cromossomos (2n=32). Esta espécie, por sua vez, é
composta por algumas variedades, entre as quais, as mais importantes são as
typica (Var gigante) e nana (Var anã). Os híbridos de coqueiro mais empregados
atualmente são os resultantes dos cruzamentos entre essas variedades;
entretanto, os híbridos de anão x anão e gigante x gigante podem ser importantes
a médio e longos prazos para a exploração do coqueiro no Brasil. A Tabela 1
apresenta algumas características dessas cultivares.Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Tabela 1 - Características de cultivares de coqueiro.
CARACTERÍSTICA ANÃO HÍBRIDO GIGANTE
Início da Floração 2 a 3 3 a 4 (Intermediário) 5 a 7 (Tardio)
Vida Útil (anos) 30 a 40 50 a 60 60 a 80
Tamanho do Fruto Pequeno Intermediário/Grande Grande
Crescimento Lento Intermediário Rápido
Porte (Altura) 8 a 10m 20m 35m
Produção (frutos/ano) 130 a 150 120 a 150 60 a 80
Peso de Fruto 900g 1200g 1400g
Peso de Noz 550g 800g 700g
Peso de Albúmen 250g 400g 350g
Exigência Muito Exigente Rústico
Destino da Produção Água
Agroindústria/Culinária/Água Agroindústria/CulináriaRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Coqueiro gigante
A variedade gigante ainda representa atualmente em torno de 70% da
exploração do coqueiro no Brasil. É uma variedade rústica, de crescimento rápido
e longa fase vegetativa, iniciando o florescimento entre cinco a sete anos, em
condições ecológicas ideais, chegando a florescer, no entanto, até com dez anos,
sem aplicação de tecnologias.
O coqueiro gigante é predominantemente alógama, isto é, normalmente
não há sincronismo entre as fases feminina, que é curta, e masculina da mesma
inflorescência, ou da inflorescência seguinte. Entretanto, de acordo com as
condições ambientais e com a época do ano, pode ocorrer pequeno sincronismo
entre essas fases, não só da mesma, como entre inflorescências sucessivas,
verificando-se portanto, uma pequena taxa de autofecundação (Fontenelle &
Aragão,1997; Zushun & Weimei, 1997).
Esta variedade atinge de 20 a 30 m de altura, produz em média 60 a 80
frutos/planta/ano de tamanho grande, com vida econômica de 60 a 80 anos. É
muito empregada no Brasil in natura para uso culinário (produção de doces,
bolos), bem como na agroindústria de alimentos como leite de coco, farinha de
coco, entre outros.
Coqueiro anão
A variedade anã é a que está sendo mais demandada neste momento para
o plantio nas diversas regiões do Brasil. Acredita-se que essa variedade se
originou de uma mutação do coqueiro gigante (Santos et al, 1996)É uma
variedade precoce, iniciando florescimento, em média, com três anos de idade,
podendo florescer mais cedo, dependendo da aplicação adequada de tecnologias.
A variedade anã é composta das cultivares amarela, verde, vermelha da
Malásia e vermelha de Camarões. Estas cultivares normalmente são autógamas,
à exceção do anão verde, que, por apresentar em torno de 20% de cruzamento, é
considerada uma cultivar intermediária, em relação à reprodução.
Essa variedade atinge de 8 a 10 m de altura com idade de 20 anos, produz
em média 130 a 150 frutos/planta/ano, de tamanho pequeno, com vida útil
econômica entre 30 e 40 anos. É uma variedade útil apenas para água de coco,
que é muito saborosa. Seu albúmen sólido é insignificante, e por isto é rejeitada
pelas agroindústrias de alimentos.
Coqueiro híbrido
Os coqueiros híbridos mais empregados no mundo, tanto na implantação
de novas áreas, como na recuperação de coqueirais antigos, são os resultados
dos cruzamentos intervarietais anão x gigante. A demanda por esses híbridos nas
principais regiões produtoras do Brasil, está gradativamente aumentando, e no
futuro, deverá ser a principal cultivar plantada no país.
O coqueiro híbrido é superior ao gigante em várias características, e
principalmente naquelas de maiores interesses agronômico, econômico e de uso
agroindustrial, como precocidade, porte, produção de frutos e de copra (albúmen
sólido desidratado a 6% de umidade), tamanho de frutos, entre outros (tabela 1).
Em relação aos anões, as principais vantagens dos híbridos, são: ampla
utilização dos seus frutos na agroindústria de alimentos, uso culinário e para águaRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
de coco; devido ao maior tamanho do fruto, e consequentemente, maiores
produções dos albumens sólido e líquido, pode atender melhor, tanto as
exigências do consumidor como das agroindústrias de alimentos e de água de
coco; maior estabilidade do preço dos frutos no ano, devido principalmente a
ampla utilização dos mesmos. Outro ponto fundamental é que a cultura do
coqueiro está se expandindo do litoral para o semi-árido do Nordeste e para as
demais regiões do país (Norte, Centro Oeste, Sudeste, e até a região Sul). Nesse
contexto, o coqueiro híbrido é de grande importância, pois sendo formado pela
constituição genética de dois ou mais parentais, são mais variáveis, e por
conseguinte, devera apresentar maior estabilidade de produção, quando
submetido a diferentes ambientes ecológicos em relação aos seus parentais.
Os híbridos iniciam a emissão de inflorescências com três a quatro anos de
idade. Segundo Aragão & Costa (1998), nos tabuleiros costeiros do Sul de
Sergipe, em condições de sequeiro, os híbridos anão verde de Jiqui (AVEJ) x
Gigante do Brasil do Rio Grande do Norte (GBrRN), anão vermelho de Gramame
(AVG) x Gigante do Brasil de Pacatuba selecionado (GBrPS) e o híbrido triplo
anão vermelho de Camarões (AVC) x (Gigante de Rennel - GRL x Gigante do
Oeste Africano - GOA), iniciaram o florescimento com três anos de idade;
entretanto, entre 55 e 89% das plantas desses híbridos e de outros quatro
híbridos intervarietais, floresceram com quatro anos.
A produção média de frutos dos híbridos é de 120 a 150 /planta /ano,
podendo no entanto, atingir produções mais altas de acordo com a aplicação de
tecnologias. Persley (1992) cita produções de 160 frutos/planta/ano e
produtividade de copra de 5 a 6 t/ha com o emprego de coqueiros híbridos. A
produtividade média atual de copra é de apenas 500 kg/ha.
Melhoramento do coqueiro
A utilização de cultivares melhoradas de coqueiros anão, gigante e híbrido,
deve ser a base dos programas de fomento à esta cultura no Brasil.
Histórico
O programa de melhoramento do coqueiro no Brasil iniciou na década de
40 em Sergipe com enfoques principais na introdução de germoplasma, na
autofecundação do coqueiro gigante e no cruzamento intervarietal anão x gigante
(Miranda Júnior, 1955). Esse programa sofreu solução de continuidade ainda em
1947, em função da falta de pessoal técnico e de apoio, problemas de infraestrutura de campos experimentais e de laboratórios e descontinuidade de
recursos.
Ainda no Brasil, outras ações de melhoramento sem qualquer resultado
importante na ocasião, devido também a problemas de recursos humano e
financeiro, foram as implantações nas décadas de 60 e 70 de áreas de obtenção
de híbridos anão x gigante, na EMPARN, RN (Anão verde de Jiqui x Gigante do
Brasil do Rio Grande do Norte) e IPA, PE (Anão amarelo e/ou vermelho x gigante
do Brasil da Praia do Forte, BA), e a introdução em 1978 pela CEPLAC, BA, de
germoplasma de anões amarelo , vermelho da Malásia e anão vermelho de
Camarões e gigante do Oeste Africano, todos provenientes da Costa do Marfim.
Com a criação da Embrapa em 1972, é que a pesquisa com o coco
apresentou um grande impulso, gerando diversas tecnologias importantes para aRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
cocoicultura nacional. No tocante ao melhoramento genético, somente no início
da década de 80, é que se formou uma equipe com dois melhoristas e uma
razoável infra-estrutura de pessoal de apoio técnico, de laboratórios e de campos
experimentais. A partir de 1982 é que se deu grande ênfase à formação do Banco
Ativo de Germoplasma de Coco e em 1990 as atividades de desenvolvimento e
avaliação de híbridos de coqueiro. Esse programa está constituído neste
momento das ações de prospeção e coleta de germoplasma de coco naturalizado
do Brasil, introdução de germoplasma exótico, caracterização morfológica e
genética do coqueiro, conservação de germoplasma, seleção fenotípica com
testes de progênies, desenvolvimento e avaliação de híbridos e as atividades de
cultura de embrião e cultura de tecido do coqueiro. Também está sendo
implantado em diversos ecossistemas do Brasil, uma rede de avaliação de
cultivares de coqueiro (RENAC), e em Sergipe, um ensaio da rede internacional
de avaliação de cultivares de coqueiro.
Objetivos
 Ampliar a variabilidade genética do coqueiro;
 Preservar a coleção ativa de germoplasma de coco;
Caracterizar e avaliar o germoplasma de coco.
 Selecionar cultivares de coqueiro superiores em produção e qualidade dos
componentes dos frutos e para os demais caracteres de interesses agronômico e
econômico, com ampla adaptação ecogeográfica , para melhorar a
sustentabilidade dos diversos sistemas de produção prevalecentes no país;
 Selecionar cultivares de coqueiros elites em produção de albumens sólido e
líquido com qualidades química e sensorial superiores;
Selecionar cultivares tolerantes e/ ou resistentes ao ácaro e as doenças foliares
queima e lixas do coqueiro;
Selecionar cultivares de coqueiro tolerantes e/ ou resistentes à seca;
Selecionar cultivares de coqueiro adaptados e com maiores estabilidade e
uniformidade de produção, para diferentes ambientes agro ecológico.
Introdução de germoplasma de coco no Brasil
O início de formação do Banco Ativo de Germoplasma de Coco (BAG de
Coco – localizado no Campo Experimental do Betume, Neópolis, SE), ocorreu a
partir de 1982, com as introduções pela Embrapa, dos anões amarelo da Malásia,
vermelho de Camarões e vermelho da Malásia, todos procedentes da Costa do
Marfim (Siqueira & França-Dantas, 1984).
Em 1983, a Embrapa introduziu, da Costa do Marfim, populações de:
gigante-do-oeste-africano, gigante-de-rennel, gigante-da-polinésia, gigante-denovas híbridas, gigante-da-malásia, gigante-de-rotuma e gigante-de-tonga
(Siqueira & França-Dantas, 1984).
Em 1984, foram reintroduzidos: gigante-do-oeste-africano, gigante-derennell, gigante-de-tonga, gigante-de-vanuatu e gigante-da-malásia e em 1986,
novamente, as populações gigante-de-rennell, gigante-da-polinésia e gigante-devanuatu (Ribeiro & Siqueira, 1995).
A coleção de germoplasma exótico da Embrapa Tabuleiros Costeiros está
constituída atualmente das cultivares relacionadas na Tabela 2 .Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Tabela 2 - Germoplasma de coco introduzido no Brasil pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, proveniente da Costa do Marfim em
1982 e 1983.
Cultivar Origem Introdução
Nº de
Exemplares
Coqueiro-gigante
Oeste africano (GOA) Costa do Marfim 1983 218
Rennel (GRL) Salomão 1983 94
Polinésia (GPY) Taiti 1983 207
Rotuma (GRT) Fiji 1983 94
Tonga (GTG) Tonga 1983 93
Vanuatu (GVT) Vanuatu 1983 35
Malásia (GML) Malásia 1983 34
Coqueiro-anão
Amarelo-da-malásia (AAM) Malásia 1982 157
Vermelho-da-malásia (AVM) Malásia 1982 204
Vermelho-dos-camarões
(AVC)
República dos
Camarões
1982 154Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Prospeção e coleta de coqueiro
A prospeção genética tem por objetivo identificar e avaliar populações
legítimas e homogêneas de coqueiro, visando a coleta e a introdução de
germoplasma, assim como proceder a seleção fenotípica e teste de progênie.
Pré-prospeção
Para efetuar a prospeção genética de coqueiro, é importante definir a
população a ser investigada, adotando-se normalmente os critérios de
homogeneidade, estabilidade e isolamento.
A homogeneidade é avaliada em relação aos descritores que identificam a
variedade. Uma população é considerada homogênea, quando apresenta um
mínimo de variabilidade em relação a esses descritores.
A cultivar é considerada estável se a homogeneidade é mantida através de
gerações sucessivas de reprodução.
O isolamento ideal da população de coqueiro em relação a qualquer outro
plantio com essa espécie, é de 1000m. Entretanto, o isolamento pode ser de
500m desde que hajam barreiras físicas (barreiras geográfica e de vegetação) ou
barreiras mecânicas (emasculação ou eliminação da inflorescência).
Para a prospeção do coqueiro gigante um critério também importante para
se determinar a legitimidade da população é a idade. Neste caso, procurar-se-á é
selecionar aquelas populações que apresentam no mínimo 70 anos, pois,
seguramente serão originárias dos primeiros gigantes introduzidos no Brasil em
1553. Com isso elimina-se o risco da coleta de híbridos naturais inter-varietais
anão x gigante, pois a primeira introdução do coqueiro anão ocorreu em 1925
(Siqueira et al, 1998 ).
Prospeção
Escolha de plantas
Nesta fase, as plantas são observadas, individual e cuidadosamente,
selecionando-se a seguir, aquelas que apresentarem um bom aspecto vegetativo;
uma boa produção; frutos de tamanho aceitável e aspecto e características
fenotípicas próprias do coqueiro-gigante e ausência de pragas e doenças. É
necessário o máximo de cuidado para evitar plantas que apresentem
características de híbridos. Feita a escolha, a planta é numerada [exemplo: PF-1
(Praia do Forte, planta número 1)] e marcada por um círculo, feito com tinta a
óleo, abaixo do número de identificação.
Coleta de frutos
Após a marcação, procede-se à estimativa da produção anual de
frutos/planta/ano feita pela contagem do número de frutos, iguais ou maiores que
um punho fechado. A soma desses frutos, inclusive dos maduros, será a
estimativa da produção anual por planta. Feita a estimativa, procede-se à colheita
dos frutos maduros; estes são separados por cachos e numerados com o número
da planta-mãe. Anota-se a produção e separam-se três frutos por planta, ao
acaso, para a análise dos componentes (Wuidart & Rognon, 1978).Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Os trabalhos de prospeção e coleta de germoplasma no Brasil, foram
iniciados em 1982, tendo sido já prospectadas as seguintes populações de
coqueiro gigante: Praia do Forte, BA, Pacatuba, SE, Merepe e Santa Rita, PE,
São José do Mipibu e Baía Formosa, RN; e as populações de coqueiro-anão:
amarelo e vermelho-de-gramame (PB); e verde-de-jiqui, RN (Ribeiro & Siqueira,
1995), conforme Tabela 3.
Tabela 3 - Germoplasma de coqueiro prospectado e/ou coletado no Brasil pela
Embrapa Tabuleiros Costeiros de 1982 a 1995.
Variedade/Ecotipo Procedência
Ano da coleta Nº de
exemplares
Coqueiro-gigante
Brasil (GBrPF) Bahia 1982 479
Brasil (GBrFM) Pernambuco 1991 150
Brasil (GBrSJM) Rio Grande do Norte 1991 150
Brasil (GBrBF) Rio Grande do Norte 1995 102
Brasil (GBrFSR) Pernambuco 1995 102
Brasil (GBrPC) Sergipe 1995 102
Coqueiro-anão
Verde (AVeB) ou AVEJ Rio Grande do Norte 1982 340
Amarelo (AAB) ou AAG Paraíba 1983 174
Vermelho (AVB) ou
AVG
Paraíba 1983 491
Caracterização morfológica
A caracterização morfológica de todos os acessos é realizada no BAG de
Coco, empregando-se os descritores definidos pelo IPGRI (IPGRI, 1995) e pelo
COGENT (IPGRI/COGENT, 1996).
Um dos critérios adotados é a estimativa do número de frutos/ano (tabela 4
e 5). Conforme a Tabela 4, os Gigantes de Vanuatu (GVT) e da Malásia (GML)
apresentaram as maiores estimativas médias da produção de frutos/ano – 37 e
30, respectivamente. As menores produções foram obtidas nos gigantes do Brasil
Praia do Forte (GBRPF)-17 e do Oeste Africano (GOA) – 11. Todos os acessos
de gigantes apresentaram variações no número de frutos, destacando-se com
número máximo de frutos o Gigante de Tonga (GTG) com 123, GML com 104,
GPY com 92 e GVT com 83 frutos/planta/ano. Esses valores foram superiores ao
número médio de frutos observados, por exemplo, no banco de germoplasma da
costa de Marfim, da 60 frutos/planta/ano. A variação entre os números máximo e
mínimo de frutos dos diferentes acessos de coqueiro gigante caracteriza a
variabilidade genética existente nesses acessos, o que é de grande importância
para o melhoramento genético do coqueiro.Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Tabela 4 - Estimativa do número de frutos/ano e número de exemplares por
cultivar, de coqueiro gigante, em diferentes campos do Banco Ativo de
Germoplasma, Neópolis, SE, 1997.
GBRPF GOA GPY GML GVT GRT GTG GRL
Média 56,06 16,86 22,84 30,17 36,91 21,88 24,73 23,99
DPadrão 11,97 12,72 15,91 20,45 17,29 11,71 21,64 12,35
Mínimo 1 0 0 3 15 2 0 0
Máximo 87 59 92 104 83 59 123 62
Já em relação aos anões ( tabela 5 ), as maiores médias de frutos/ano
foram obtidos nas cultivares de Vermelho de Camarões (AVC) – 45 frutos, e
Verde do Brasil) – 44 frutos. Plantas das cultivares dos anões AVEJ e AVC
produziram os maiores números de frutos entre os anões – 89 e 81,
respectivamente.
Tabela-5 - Estimativa do número de frutos/ano e número de exemplares por
cultivar de coqueiro anão, em diferentes campos do Banco Ativo de
Germoplasma, Neópolis, SE, 1997.
AVM AAM AVG AAG AVC AVEJ
Média 18,36 22,11 11,15 17,52 32.21 43,99
D.Padrão 8,77 10.80 8.15 11,26 13,34 15,57
Mínimo 6 1 0 1 4 1
Máximo 69 66 51 56 81 89
Ribeiro (1993) estudou a divergência genética em coqueiro-gigante-dobrasil, avaliando 19 caracteres nas populações da Praia do Forte (BA), Pacatuba
(SE), Merepe e Santa Rita (PE) e São José do Mipibu (RN). Os resultados desta
pesquisa mostraram que as populações de Pacatuba e Merepe são menos
divergentes entre si, enquanto que a população de Santa Rita foi a mais
divergente em relação às demais. Por outro lado, as populações da Praia do Forte
e São José do Mipibu apresentaram divergência intermediária. Essas informações
são de fundamental importância para o Programa de Melhoramento Genético da
cultura, que procura identificar progenitores para a produção de híbridos e
também para a escolha de populações a serem utilizadas na seleção fenotípica
de indivíduos. Concluiu-se que as populações de Merepe e Praia do Forte foram
as mais promissoras com relação às características de fruto por apresentarem
maior peso de copra.
A Tabela 6 apresenta características básicas do fruto de catorze acessos
do Banco Ativo de Germoplasma de Coco. Nos gigantes, por serem alógamos, a
cor do fruto varia entre tonalidades de verde a vermelho, chegando a marrom. Os
acessos AAG e AAM, apresentam a mesma coloração – 160 B do Grupo Amarelo
Acinzentado; o mesmo acontece com AVG e AVM, os quais possuem a cor 25 B
do Grupo Laranja. Nesses quatro acessos, a cor mais intensa ocorre próximo ao
pedúnculo, quando mais novos. O AVC tem a cor 25 C do Grupo Laranja, menos
intensa que o AVM, o que faz com que ele seja denominado Anão Amarelo de
Camarões, em alguns países. O Anão Verde de Jiqui foi classificado como 146 CRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
do Grupo Verde-amarelado e apresenta cor mais intensa em todo o fruto quando
mais novo. Os acessos GRL, GRT e GML apresentaram os maiores diâmetros
polar. O GML, devido também ao maior diâmetro polar, exibe o aspecto de fruto
grande e formato arredondado mais característico. Para a visão equatorial houve
predominância da forma angular. A forma achatada da cavidade da noz ocorreu
também na maioria dos acessos (Tupinambá & Bueno, 1998).
Tabela 6 - Características básicas de frutos de oito acessos de coqueiro gigante e
seis de anões. Banco Ativo de Germoplasma de Coco. Neópolis, SE.
Junho/97.
Acesso Cor*
Diâmetro
Polar (cm)
Diâmetro
Equatorial
(cm)
Visão
Polar
Visão Equatorial Formato da
Cavidade
da noz
GOA ** 21,2 14,3 Pêra Angular Pontudo
GML ** 22,2 19,5 Redondo Angular Chato
GVT ** 17,3 14,7 Elíptico Angular Chato
GRT ** 24,5 18,3 Redondo Angular Arredondad
o
GRL ** 25,0 18,0 Pêra Redondo Chato
GTG ** 21,3 18,3 Pêra Angular Chato
GBRPF ** 21.8 17,3 Pêra Angular Chato
GPY ** 21.5 16,8 Pêra Angular Chato
AVM OG25B 20,3 14,0 Elíptico Angular Chato
AVC OG25C 20,0 12,3 Pêra Redondo Arredondad
o
AAG GYG160
B
18,0 15,3 Pêra Redondo Chato
AVG OG25 20,3 14,8 Elíptico Angular Chato
AAM GYG160
B
18,3 13,5 Elíptico Angular Chato
AVEJ YGG146
C
20,0 14,5 Elíptico Chato Chato
*Conforme RHS (1996): OG – Grupo Laranja, GYG – Grupo Amarelo-acinzentado, YGG – Grupo
Verde-amarelado.
** Variável de Verde a Marrom.
A caracterização dos frutos de seis cultivares de coqueiro anão efetuada
por Aragão et al (1998), revelou os seguintes aspectos, independentemente da
cultivar: a curva de regressão para o peso dos frutos e volume de água é do
segundo grau, ocorrendo os valores máximos entre o quinto e o oitavo mês de
idade. Nesse intervalo os maiores pesos de frutos foram observados no AVEJ e
AVM no quinto mês (1000 a 1200g), AVEJ, AVM e AVC no sexto mês (1200 a
1400g),AVEJ e AVM no sétimo (1400 a 1600g) e AVEJ no oitavo mês (1200 a
1400g). Os maiores volumes de água foram determinados nos AVEJ, AVM, AVG
e AVC no quinto mês (200 a 300ml); AVEJ, AVM e AVG no sexto mês (250 a 350
ml) e no AVC e AVM no sétimo mês (250 a 300 ml). A análise sensorial revelou
que os melhores sabores da água de coco ocorrem nos frutos colhidos entre o
sexto e o nono mês, independentemente da cultivar de anão, sendo que o AVC foiRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
a cultivar que apresentou o sabor mais doce da água de coco com sete meses de
idade (Aragão, 1998).
Caracterização química
A caracterização química de frutos maduros (frutos com 12 meses) de dois
híbridos (PB 111- AVC x GOA e PB 121- AAM x GOA) e de nove gigantes
(GBRI,GBRPF, GML, GVT, GOA, GPY, GRL, GRT e GTG) existentes na BAG de
coco, revelaram as seguintes variações (g%) (Regina et al, 1996 ) :
 Umidade dos frutos - 39,21 (GOA) a 50,06 % (GRL); Glucose – 0,12 (GPY
) a 0,31 (GML); Sacarose – 5,04 (GBRPF) a 9,95 (GRL);Carboidratos – 8,39
(GVT) a 14,22 (GRL); Lipídios – 63,05 (GRL) a 72,66 (GTG); Proteínas – 6,77
(GTG) a 8,52 (GVT); Fibra crua – 5,39 (GPY) a 12,88(GBRI); Cinzas – 1.59
(GBRI) a 2,17 (PB 121); Acidez em solução normal (ml/100g) – 1,76 (GBRPF) a
3,18 (PB121) e Ácido láurico (g/100g de ácido graxo) – 48,4 % (PB121) a 54,1
(GRT).
O estudo da composição química da água de coco de seis cultivares de
coqueiro anão do BAG de Coco em diferentes estágios de maturação (Tavares et
al, 1998) revelou que os valores de pH das amostras analisadas foram
aumentando e, os de acidez, decrescendo proporcionalmente ao amadurecimento
dos frutos, para todas as cultivares. Considerando que o sabor doce e a
adstringência desejáveis são atingidos com pH próximo de 5,6, deve ser
ressaltado que valores de pH nesta faixa foram verificados do 8o. ao 12o.
Os principais açúcares encontrados nas amostras ora analisadas foram
glicose, frutose e sacarose, sendo que na maioria dos cocos jovens houve maior
quantidade de glicídios redutores do que não redutores. A cultivar AVG
apresentou o maior conteúdo de redutores (6,4g/100ml), no 8o
 mês, enquanto que
a cultivar AAM mostrou o maior teor de não redutores (5,9g/100ml), no sétimo
mês. Este último teve também a soma mais elevada de glicídios redutores e
sacarose (8,8g/100ml), sendo que para água de coco gigante, cultivado na Índia
isso se deu no 7o
 mês.
A cultivar AAM também mostrou, no 7o. mês, a soma mais elevada de
glicídios redutores de sacarose (8,8g/100ml), sendo que para a água de coco
gigante, cultivado na Índia, isto se deu no 7o. mês. Houve uma correlação entre
aquela soma e o valor de brix encontrado (8,9), o que, entretanto, não se
observou em todas as amostras.
A vitamina B1 não foi detectada em nenhuma das amostras analisadas.
Quanto à vitamina B2, foi encontrada apenas no 8o. e 11o. mês de maturação em
todas as cultivares, variando seu conteúdo de 8 x 10 –3 a 24 x 10 –3mg/100ml.
Este valor máximo correspondeu à cultivar AAG, no 11o. mês de maturação.
Quanto à vitamina C, os maiores teores ocorreram no 6o. mês de
maturação com as cultivares AVM (94,3 mg/100ml) e AAG (91,4 mg/100ml). Aliás,
todas as cultivares analisadas no referido mês apresentaram valores muito acima
daquele citado na literatura para água de coco verde (2,6 mg/100g). Assim, a
água de coco anão analisada neste período pode ser considerada como uma boa
fonte de vitamina C.
Quanto aos minerais, o potássio, como era esperado, predominou em
quantidade sobre os demais, atingindo a maior concentração (296 mg/100ml) no
9o. mês de maturação, com a cultivar AAG. Comparado a valores mencionados
para água de coco anão ou gigante da Índia, entre 6o. e 12o. meses de idade,Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
aquele valor só é inferior ao obtido no 6o. mês de maturação do coco gigante (324
mg/100g). Se comparado também ao referido para água de coco, a concentração
acima citada é mais que o dobro desta.
O sódio exibiu o maior conteúdo (55 mg/100ml) no 12o. mês para a cultivar
AVC; o cálcio (25 mg/100ml), no 8o. mês, para AVG; o magnésio (23 mg/100ml) e
o fósforo (22 mg/100ml), no 9o. mês, para AAG; e o ferro (0,09 mg/100ml), no
sétimo mês para AAM e AVEJ e, no 9o. mês para AVEJ. Os conteúdos acima
citados para Na, Mg e P foram superiores aos encontrados para as águas de coco
indiano, sendo inferior apenas no tocante ao cálcio. Já os teores referidos em
tabela de composição de alimentos para Ca, P, Na e Fe estão abaixo daqueles
ora verificados. Ressalte-se que o ferro foi o que apresentou a faixa de valores
mais estreita (0,03 a 0,09 mg/100ml) dentre todos os minerais analisados.
Caracterização molecular
A caracterização molecular dos acessos do Banco de Germoplasma de
Coco vem sendo conduzida através da parceria Embrapa-CPATC/Universidade
Estadual do Norte Fluminense.
O uso de marcadores RAPD para avaliação de divergência e variabilidade
genética têm demonstrado potencialidade dessa técnica no sentido de acelerar os
trabalhos de avaliação e caracterização, permitindo inclusive a geração de
informações de elevada relevância para o melhoramento do coqueiro. Com os
iniciadores e ecotipos Gigante do Brasil - Praia do Forte (GBRPF), Gigante do
Oeste Africano (GOA) e Gigante de Rennell (GRL), obteve-se como conclusões
preliminares os seguintes aspectos (Wadt,1997; Wadt et al, 1997):
O ecotipo GRL foi mais distante dos demais, sendo GOA e GBRPF
relativamente próximos porém distintos.
O ecotipo GOA apresentou menor variabilidade genética intrapopulacional,
enquanto que o ecotipo GBRPF foi o que apresentou maior variabilidade
intrapopulacional.
A técnica mostrou-se adequada para avaliação de divergência e
variabilidade genética em coqueiros, permitindo inclusive, conhecer com relativa
precisão, o nível de homozigose média dos indivíduos de cada população
(acesso).
Os resultados obtidos por Pereira (1998), empregando a técnica de RAPD
indicaram que o uso de mistura de plantas é uma metodologia adequada para se
conhecer a variabilidade interpopulacional, considerando cada acesso de uma
população de coqueiro. Contudo, não permite conhecer a variabilidade genética
intrapopulacional, consequentemente, não se tem acesso às diferenças de
freqüência gênica.
O uso de bulks (mistura de plantas) deve ser utilizado como uma primeira
etapa para se ter uma visão global do germoplasma em termos de divergência
genética entre as populações.
Dentre os iniciadores utilizados, 24 apresentaram bom padrão de bandas,
sendo os mesmos considerados na presente análise.
Os 24 iniciadores geraram 127 locos polimórficos e 61 monomórficos.
. Por meio da matriz do complemento do índice de JACARD, a análise de
agrupamentos foi desenvolvida pelo método de Tocher que indicou a existência
de seis grupos geneticamente distintos(Figura 1):Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
 . Grupo 1: Ecotipos da variedade anão
 . Grupo 2: Ecotipos do grupo gigante do Brasil (GBR), exceto o GBRPF.
 . Grupo 3 : GRL, GPY e GRT
 . Grupo 4: GBRPF e GOA (Oeste Africano)
 . Grupo 5: GML e GVT
 . Grupo 6: GTG
O ecotipo GTG constituiu um grupo isolado, indicando ser geneticamente
mais distante dos demais, sendo portanto uma indicação interessante para os
trabalhos de hibridação. Dentro de cada grupo, foi indicada a existência de
variabilidade genética, permitindo concluir que todos os 19 ecotipos são distintos
geneticamente. Também, dentro de cada grupo, a análise de cluster indica quais
são geneticamente mais divergentes; por exemplo, dentre os ecotipos do grupo
anão, o AVEJ esta mais distante geneticamente do que os tipos vermelho e
amarelos. Em outras palavras, se o objetivo é desenvolver híbrido de anão x
anão, existe maior sucesso se um dos ecotipos for o anão verde e o outro sendo
vermelho ou amarelo.
Seleção fenotípica com teste de progênie
O teste de progênies nada mais é do que a avaliação dos genótipos dos
progenitores, com base no fenótipo dos seus descendentes e com objetivo de
aumentar a eficiência da seleção fenotípica (Allard, 1971). A idéia é se obter um
número possível de sementes de cada planta selecionada, de uma dada
população, das quais se obteriam mudas que seriam plantadas em três diferentes
localidades onde se pretende efetuar o melhoramento. Estabelecidas essas
populações, as progênies seriam avaliadas e aquelas que se mostrassem
inferiores, seriam eliminadas. As superiores sofreriam uma seleção dentro das
famílias, permanecendo apenas as melhores, que seriam usadas para a obtenção
da geração seguinte. Essa população assim constituída, transformar-se-ia em um
campo de produção de sementes melhoradas, que poderia também fornecer
pólen para a obtenção de híbridos.
Essa atividade foi iniciada no Campo Experimental Romeu de Mesquita, da
EMPARN, em 1995, partindo de uma população de aproximadamente 1500
plantas de anão Verde. Está constituído de duas etapas que consistem na
seleção das plantas matrizes, com base principalmente na produção de frutos e
no teste de progênies propriamente dito, adotando-se as pressões de seleções
em torno de 25% e 10%, respectivamente. A primeira etapa já foi iniciada com a
seleção de aproximadamente 300 matrizes
Obtenção e avaliação de coqueiros híbridos
Os primeiros híbridos do coqueiro foram obtidos em Fiji em 1928, por
Marechal (Harries, 1979) e na Índia, em 1932, por Patel (Mulyar & Rethinam,
1991). O primeiro pesquisador a se reportar sobre a heterose em coqueiro
híbrido foi Patel em 1937 (Patel, 1939). Entretanto, só a partir da década de 60 é
que a pesquisa na área de melhoramento do coqueiro tomou um grande impulso,
e segundo NUCE de LAMOTHE (1990) entre os resultados mais marcantes,
destacou - se a obtenção de híbridos intervarietais anão x gigante.Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
O melhoramento do coqueiro nos últimos 30 anos tem demonstrado que
com o uso de híbridos pode-se aumentar a produção de copra de 0.5 para 6,5
t/ha nas idades de 10 e 20 anos, sob condições ambientais favoráveis e manejo
adequado (Persley, 1992). Este é o método mais rápido e eficiente no
melhoramento do coqueiro (Menon & Pandalai, 1958). Além disto, existem
atualmente híbridos adaptados a uma ampla faixa de condições edafoclimáticas,
ou a ambientes específicos de solos nos atois, resistentes a doenças (Nucé de
Lamothe, 1981), precoces ( Sangaré et ali, 1988), resistentes a insetos ( Harries,
1991), tolerantes à seca ( Nucé de Lamothe, 1991) e tolerantes ao frio e a ventos
fortes (Zushun & Weimei, 1997).
Atualmente, há um grande interesse entre os principais países produtores
de coco do mundo, como Filipinas, Indonésia, Índia, Tailândia e países do
Pacífico, na avaliação e seleção de híbridos para solucionar seus problemas de
produtividade, doenças, pragas e adaptações a diversas regiões climáticas ( Nucé
de Lamothe, 1991, Aldaba, 1995). O impacto mais significativo no programa de
melhoramento de coco na Índia foi o vigor de híbrido ou heterose verificado nos
cruzamentos anão x gigante, para produção de frutos e de copra ( Nair et al,
1991).
No Brasil os primeiros híbridos experimentais de coqueiro foram obtidos a
partir de 1990, no campo experimental do Betume ( CEB ) - Sergipe, EMBRAPA -
CPATC (através do método de polinização controlada com proteção da
inflorescência) ou através da parceria com a EMPARN, Rio Grande do Norte
(método de polinização natural) e com a empresa Metro Ltda. (método de
polinização controlada sem a proteção da inflorescência).
Sete híbridos intervarietais obtidos no Campo Experimental do Betume estão
sendo testados em condição de sequeiro nos tabuleiros costeiros do Sul de
Sergipe desde 1994. Esses híbridos foram semelhantes estatisticamente para a
maioria dos caracteres morfológicos vegetativos. Apenas o híbrido triplo anão
vermelho de Camarões – AVC x (Gigante de Rennel – GRL x Gigante do Oeste
Africano – GOA) foi diferente dos demais híbridos pelo teste Tuckey a p<005,
apresentando menores número e comprimento de folíolos da folha três. Estes
caracteres aliados ao menor comprimento da folha três verificado também nessa
cultivar, são resultados importantes no sentido de se desenvolver plantas com
portes menores, e consequentemente, se aumentar a densidade de plantio do
coqueiro (Aragão, 1998).Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Tabela 7 - Dados médios do número de folhas vivas (NFV), número de folhas
emitidas (NFE), número de folhas mortas (NFM), circunferência do
coleto (CC),número de folíolos da folha três (NFo
F3), comprimento
dos folíolos da folha três (CFo
F3), comprimento da folha três (CF3),
comprimento do limbo da folha três (CLF3), e comprimento do
pecíolo da folha três (CPF3) Aracaju, 1998.
Híbridos
NFV
Híbridos
NFE
Híbridos
NFM
Híbridos
CC
Híbridos
NFoF3
AVeJxGBrRN
11,37
AVeJxGBrRN
2,40
AVeJxGBrRN
4,29
AVGx(GRLxGOA)
1,18
AVeJxGBrRN
174,91a
AVGx(GRLxGO
A) 10,76
AVGxGBrPF
2,32
AVGxGBrMe
3,63
AveJxGBrRN
1,18
AVGx(GRLxG
OA) 167,41a
AVCx(GRLxGO
A) 10,64
AVCx(GRLxGOA)
2,32
AVGx(GRLxGOA)
3,33
AVGxGBrMe
1,17
AVGxGBrMe
165,13a
AVGxGBrPA2
10,43
AVGxGBrMe
2,29
AVCx(GRLxGOA)
3,22
AVGxGBrPA1
1,15
AVGxGBrPA2
160,11a
AVGxGBrMe
10,42
AVGxGBrPA1
2,26
AVGxGBrPF
3,21
AVGxGBrPF
1,14
AVGxGBrPF
156,90a
AVGxGBrPA1
10,33
AVGxGBrPA2
2,23
AVGxGBrPA2
3,19
AVGxGBrPA2
1,14
AVGxGBrPA1
156,69a
AVGxGBrPF
10,02
AVGx(GRLxGOA)
2,21
AVGxGBrPA1
3,16
AVCx(GRLxGOA)
1,09
AVCx(GRLxG
OA) 154,2 b
Media Geral
10,57 2,29 3,43 1,32 162,19
No tocante ao florescimento os híbridos Anão Verde de Jiqui – AVEJ x
Gigante do Brasil do Rio Grande do Norte – GBRRN, AVC x (GRL x GOA) e Anão
Vermelho de Gramame –AVG x Gigante do Brasil de Pacatuba selecionado –
GBRPCS iniciaram a emissão de inflorescências com três anos de idade.
Entretanto, a maior concentração de florescimento desses híbridos e do híbrido
AVG x (GRL x GOA) ocorreram com quatro anos de idade (Aragão & Costa,
1998).
Todos os sete híbridos são suscetíveis às pragas Coraliomela brunea
(barata do coqueiro) e Aspidiostus destructor (cochonilha transparente do
coqueiro), enquanto o híbrido AVEJ x GBRRN é o que apresenta o maior número
de folhas com queima, e o AVG x GBRPF o maior nível de tolerância às lixas
pequenas e grandes.
Devido a precocidade e boa produção de frutos do híbrido AVEJ x GBRRN
(em torno de 160 frutos/planta/ano sob irrigação) observado em alguns locais do
Nordeste, esse híbrido foi lançado em 1997 pela EMPARN/Embrapa-CPATC.
No programa de obtenção de híbridos tem-se dado maiores ênfases ao
híbridos intervarietais anão x gigante. Contudo, os híbridos gigante x gigante tem
apresentado grandes interesses, pois freqüentemente apresentam boa relação
copra/fruto e, particularmente, possuem maior variabilidade genética e portanto
apresentam maiores possibilidades de serem melhorados (Nucé de Lamothe et
al., 1991). Além disto, podem ser preferidos para consorciação com outras
culturas, desde que seu espaçamento seja de 10 m em triângulo. Ainda segundo
Sangaré et al., 1998, o PB 214 (GOA x Gigante de Vanuatu) produziu na idade
adulta, 15% de copra a mais que o híbrido intervarietal PB 121 (AAM x GOA).
Também os híbridos anão x anão podem ser de grande importância,
principalmente para o Brasil e demais países da América Latina e Caribe, em
virtude da grande demanda para coco verde (ou água de coco). ResultadosRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
obtidos na Costa do Marfim por Le Saint & Nucé de Lamothe (1987) e Nucé de
Lamothe (1991), mostraram que certos híbridos de anão são tão precoces quanto
os pais, produzem mais copra/planta, apresentam grande número de
frutos/planta, e possui crescimento vertical baixo, tornando possível aumentar sua
densidade de plantio para 235 plantas/ha, e consequentemente, aumentar sua
produtividade.
Um experimento envolvendo onze cultivares de coqueiro (os anões AAG,
AVC, AVG, e AVEJ, o gigante GBRPF, o híbrido intervarietal AVEJ x GPY e os
híbridos de anões AVEJ X AAG, AVEJ x AAM, AVEJ x AVC, AVEJ x AAG e AVEJ
x AVG) está sendo conduzido desde 1996 em condições de sequeiro, nos
tabuleiros costeiros do Sul de Sergipe.
Na comparação dos híbridos de anões com os respectivos parentais, o
híbrido AVeJ x AAG foi superior ao pai para os caracteres NFV, CC, CF3, CPF3,
CLF3, NFoF3 e CFoF3 e inferior para o caráter NFE, caracterizando o fenômeno
da heterobeltiose. Apenas para NFM esse híbrido apresentou resultado igual ao
pai superior, evidenciando o fenômeno da dominância completa. Já a heterose
para o híbrido AVeJ x AVC, em geral, foi explicado pelo fenômeno da
heterobeltiose (para os caracteres NFM, CC, CF3, CLF3 e NFoF3 ). Para os
caracteres NFE, CPF3 e CFoF3 ocorreu a dominância completa e para NFV esse
híbrido foi superior a média dos pais (dominância parcial). Para o híbrido
intervarietal AVeJ x GPY a heterose foi intermediária para os caracteres NFV,
CF3, CPF3, CLF3 e CFoF3, completa para NFM, CC e NFoF3 e sobredominante
apenas para NFE.
Outro aspecto muito importante com relação aos híbridos simples anão x
anão e gigante x gigante é que eles podem ser cruzados entre si, obtendo-se
híbridos duplos, triplos, etc. Estes híbridos, devido a sua constituição genética,
podem apresentar maior estabilidade de produção em ambientes diferentes,
quando comparados a seus parentais, e portanto, poderão ser muito empregados
no processo de interiorização do coqueiro no Brasil.
Através das variedades de coco existentes no BAG de Coco e de híbridos
provenientes da EMPARN-RN e da Metro Ltda. – CE, está sendo implantado no
Brasil a Rede Nacional de Avaliação de Cultivares de Coqueiro – RENAC. As
cultivares comuns a essa rede são: AAG, AVEJ, AAG x GOA, AVG x GBRPF e
AVEJ x GBRRN. Alguns experimentos da rede são compostos ainda dos híbridos
AAG x GBRPF, AVG x GOA, AAG x GRL, AVG x GRL, dos anões AAM, AVM e
AVC, bem como do gigante GBRPF. A situação da RENAC nos estados é a
seguinte:
a. Ensaios implantados: Sergipe (CPATC), Pernambuco (CPATSA/CPATC),
Piauí (CPAMN/ CPATC), Ceará (CPATC/Metro Ltda.), Mato Grosso (UFMT/
CPATC), Minas Gerais (CPATC/EPAMIG/Furna Rica Ltda.) e Paraná (IAPAR/
CPATC).
b. Ensaios em fase de implantação: Alagoas (CPATC/UFAL), Paraíba (MA/FAFS/
CPATC), Pará (CPATU, Sococo Ltda./ CPATC), Amapá (CPAF/ CPATC),
Distrito Federal (CPAC/ CPATC) e São Paulo (UNESP/Estação Experimental
de Bebedouros/ CPATC).
c. Ensaios a implantar em 1999: Rio Grande do Norte (EMPARN/ CPATC), Goiás
(SBSB/UFGO/ CPATC), Tocantins (Unitins/Ruraltins/ CPATC) e Rio de Janeiro
(Pesagro/ CPATC).Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Através da RENAC, espera-se uma série de resultados relacionados à
adaptação e estabilidade de produção das diversas cultivares de coqueiro para
diferentes ecossistemas do Brasil. Além disto, permitirá estimar as capacidades
geral e específica de combinação entre elas, bem como as correlações genéticas
entre caracteres nos diferentes estádios de desenvolvimento da cultura, para
acelerar o melhoramento genético do coqueiro.
Cultura de embriões zigóticos
O intercâmbio de germoplasma de coco, pela via convencional, é difícil e
caro em virtude do volume e peso das sementes. Além disto, como as sementes
não apresentam dormência podem germinar durante o transporte. Há que se
considerar ainda os riscos sempre presentes de introdução de pragas e doenças.
O intercâmbio e posterior cultivo “in vitro” de embriões zigóticos representa uma
boa solução para estes problemas. Pesquisas sobre este tema foram realizadas
por Cutter & Wilson (1954), Abrahaams & Thomas (1962). Ventura et al. (1966).
Em seqüência foram publicados os trabalhos de De Guzman (1971) e Del Rosario
& De Guzman (1982) com a cultura de embriões da variedade Macapuno, que
não germina em condições naturais. Ashburner et al. (1993) analisaram
parâmetros como tempo, temperatura e métodos de esterilização a que os
embriões podem ser submetidos antes e durante o transporte sem que a
germinação e obtenção de plântulas seja prejudicada, fornecendo indicações para
a coleta de embriões em localidades remotas sem a necessidade de grande
aparato ou de pessoal especializado.
O principal impedimento para o uso corriqueiro desta tecnologia é a
adaptabilidade das plântulas obtidas in vitro às condições normais de cultivo, no
campo, principalmente em função da dificuldade de obtenção de um sistema
radicular eficiente. As tentativas de solução deste problema passaram por duas
linhas principais de abordagem. A primeira refere-se à indução de enraizamento
por um regulador de crescimento, o ácido naftalenoacético (ANA). Assy Bah
(1986), descreveu uma técnica que permitia a obtenção de plântulas. Entretanto,
apesar de, no início da cultura, o ANA ter efeito benéfico no aparecimento
simultâneo do sistema radicular e da parte aérea, na fase de cultivo, em
condições naturais, inibia o crescimento da parte aérea. Assy Bah et al. (1986) e
Ashburner (1993) estudaram também o efeito combinado de altas concentrações
de sacarose e ANA. Em alguns casos, apenas o aumento na concentração da
sacarose foi o suficiente para induzir o aparecimento das raízes, sem a
necessidade de acréscimo dos reguladores de crescimento.
A segunda linha de abordagem levou à constatação de que a presença do
haustório favorecia a morte das plântulas ao passar para o estado de pré-
germinadouro (Iyer, 1981). A supressão do haustório permitiu reduzir o custo da
fase in vitro e propiciou um maior crescimento do limbo cotiledonar (Assy Bah,
1986). Assy Bah et al.(1989) definiram que a supressão do haustório após três
meses de cultivo do embrião (com gêmulas de 2cm a 4cm de comprimento)
permitiu melhorar a taxa de sobrevivência das plântulas, não havendo
constatação de podridão.Recursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
Na experiência da Embrapa Tabuleiros Costeiros, a obtenção de plântulas
provenientes da cultura de embriões zigóticos in vitro é alcançada, restando,
porém, ajustar certos aspectos para viabilizar a transferência para o campo.
Fatores que devem ser mais detalhadamente investigados e adaptados referemse ao aumento de vigor, como: aumento da luminosidade próximo à época de
transferência para o campo; aumento de concentração de sacarose nas mesmas
condições; determinação e calibração mais acurada da umidade relativa; ajuste
de temperatura e estabelecimento de um substrato adequado e adubação
calibrada, com ênfase ao fósforo, potássio e cloro. Deve-se considerar também
que o tamanho e o tipo de tampa utilizados atuam no aumento da aeração dos
tecidos. Como solução nutritiva, o referencial tem sido o meio de Murashige &
Skoog (1962).
Estão ocorrendo, no Laboratório de Biotecnologia do CPATC, a partir deste
segundo semestre de 1998, dois experimentos com a cultura de embriões
zigóticos. o primeiro, em parceria com uma rede internacional de pesquisa neste
assunto, coordenada pelo COGENT, estarão sendo testados quatro protocolos
para a obtenção de plântulas vigorosas dos genótipos Anão Amarelo da Malásia e
Gigante do Oeste Africano. A partir dos resultados obtidos serão planejados
testes com embriões de outras variedades para que se obtenha um protocolo
válido para todos ou pelo menos a maioria dos genótipos do coqueiro.
O segundo experimento visa obter um método para promover o “screening"
in vitro de variedades resistentes ao estresse fisiológico provocado pelo aumento
da concentração de sais no meio de cultura, selecionando, plântulas tolerantes a
altos graus de salinidade e à seca e comparando com os resultados obtidos por
outros autores, em condições de campo.
Propagação vegetativa.
A propagação do coqueiro, exclusivamente por sementes, prende-se as
suas particularidades morfológicas e fisiológicas, pois ele tem apenas um estipe,
sem nenhum lançamento. Além disso, gemas axilares produzem apenas
inflorescências, pois a única gema vegetativa é a apical. Os métodos tradicionais
de propagação vegetativa (enraizamento de estacas e enxertia), portanto, não se
aplicam a essa espécie (Pannetier & Buffard-Morel, 1986).
Sendo assim, a cultura de tecidos é o método mais viável de propagação
vegetativa do coqueiro (Pannetier & Buffard-Morel, 1986). É uma técnica na qual
pequenas partes de tecidos ou órgãos são removidos de uma planta doadora e
cultivadas assepticamente num meio de cultura (Bonga, 1985). Esta tecnologia
poderá permitir um aumento de produtividade em função da obtenção de
plantações homogêneas e de clonagem de indivíduos produtivos e/ou adaptados
a condições climáticas especiais. Da mesma forma, é óbvio o interesse de
propagar-se indivíduos resistentes a certas doenças (Pannetier & Buffard-Morel,
1986; Rillo, 1993; Verdeil et al., 1993).
A propagação vegetativa do coqueiro, envolve a produção de calos, na
tentativa de neoformação de gemas ou embriões somáticos a partir de fragmentos
de caules (Apavatjrut & Blake, 1977), folhas e raízes (Pannetier & Buffard-Morel,
1982; Siqueira & Inoue, 1991; Jesty & Francis, 1992), inflorescências (Eeuwens,
1978; Blake & Eeuwens, 1981; Siqueira & Inoue, 1991; Verdeil et al., 1994;
Dussert et al., 1995 a e b), endosperma (Fisher & Tsai, 1978; Ceniza et al., 1992),
gema apical de mudas jovens (Blake & Eewens, 1981), embriões zigóticosRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
cultivados “in vitro” (Eeuwens, 1976 e 1978; Bhalla-Sarin et al., 1986) e
protoplastos de células somáticas (Basu et al., 1988). O interesse econômico
crescente em torno da tecnologia da cultura de tecidos do coco tem retardado a
publicação dos detalhes de progresso, à medida que os métodos se aproximam
do ideal (Rillo, 1993). No entanto, alguns trabalhos bastante informativos puderam
ser encontrados.
Eeuwens (1978) estudou a influência do meio mineral em explantes
provenientes de ramos florais, estipe e fragmentos da base das folhas. Apesar do
pouco tempo em cultura − seis semanas −, o autor constatou a influência
favorável de uma solução mineral especialmente desenvolvida (macro e
micronutrientes) no peso fresco dos tecidos, quando comparada aos meios de
White (1943); Heller (1953) e Murashige & Skoog (1962). Esse meio, denominado
de Y3, continha nitrogênio em ambas as formas (amônia e nitrato) com altos
níveis de potássio e iodo. Em outra pesquisa, o mesmo autor verificou a
influência da nutrição orgânica e dos reguladores de crescimento nos explantes
de tecido de inflorescência. Ficou evidenciada a influência das diferentes fontes
de nitrogênio orgânico (aminoácidos e caseína hidrolisada), carboidratos, auxinas,
citocininas e giberelinas. Os resultados mostraram que reguladores de
crescimento, tais como ácidos 2,4-dicloro fenoxiacético (2,4-D) e naftalenoacético
(ANA) estimularam o crescimento dos tecidos apenas em baixas concentrações
(10-7M) e que sua presença, em altas concentrações, no meio de cultura foi
inibitória e causou a morte dos tecidos. Em concentrações de (10-6M) a 6-
benzilaminopurina (BAP) e zeatina estão entre as mais eficientes (Eeuwens,
1978). Além do crescimento dos explantes, diferentes tipos de proliferação foram
obtidos. Divisões celulares, que chegaram à formação de calo na superfície,
ocorreram na parte superior de explantes de caule, base das folhas e
inflorescências (Eeuwens, 1976). Contudo, o incremento no peso fresco dos
explantes resultou principalmente do crescimento do tecido original (Eeuwens,
1978).
Segundo Verdeil et al. (1993), apenas três grupos de pesquisa haviam
alcançado sucesso com a embriogênese somática, chegando à regeneração
completa de plântulas, até que, em 1991, cinco genótipos foram clonados por um
grupo de pesquisadores franceses. Este grupo empenhou-se inicialmente na
compreensão das causas da ausência ou do desvio da rota embriogênica
freqüentemente observada no coqueiro, avaliando as necessidades nutricionais
dos calos em cultura e desenvolvendo estudo histológico do desenvolvimento do
embrião do coqueiro.
Verdeil et al. (1994) relataram o estabelecimento de calos embriogênicos e
a regeneração de plântulas, a partir de explantes de inflorescência imatura dos
híbridos PB 111 e PB 121 e do anão amarelo da Malásia. A indução dos calos foi
conseguida submetendo-se os explantes a níveis altos (2,5 a 3,5 x 10-4 M) de 2,4
D (ácido 2,4-diclorofenoxiacético), por oito meses de cultura, sem subcultivo. A
embriogênese e a maturação dos embriões somáticos foram conseguidas com a
redução gradual do nível desta auxina e adição de BAP (benzilaminopurina) ao
meio de cultivo. O desenvolvimento da parte aérea ocorreu em meio sem
reguladores do crescimento e um meio de enraizamento foi utilizado, nos casos
em que o desenvolvimento de raízes não foi espontâneo. A composição de sais
dos meios utilizados seguiu a fórmula MS (Murashige & Skoog, 1962) ou de
Eeuwens (1976), dependendo da fase do experimento. Os autores concluíram
que os calos foram produzidos a partir da proliferação de gemas floraisRecursos Genéticos e Melhoramento de Plantas para o Nordeste Brasileiro
masculinas e que as concentrações altas de 2,4-D serviram para provocar a
desorganização da zona meristemática e gerar a competência para a
embriogênese.
Numa etapa seguinte da mesma série de estudos, buscou-se condições
ideais para a indução da embriogênese somática a partir de linhagens de calos já
estabelecidas, mas nenhum protocolo definitivo para este procedimento foi
publicado até o momento (Dussert et al., 1995).
O estabelecimento de calos a partir de tecidos de folha é, aparentemente
um processo mais difícil que a indução de divisão celular e formação de calos a
partir de tecidos da inflorescência. Siqueira (1988), trabalhando com tecidos de
folhas de plantas jovens, folhas e inflorescências de plantas adultas, constatou
graves problemas de oxidação nessas culturas e especialmente em explantes de
folhas jovens. Esse problema foi parcialmente resolvido, com o cultivo inicial dos
explantes, em meio líquido por uma semana antes da transferência para o meio
sólido.
Quanto às condições de crescimento utilizadas, foram encontradas
citações de temperaturas entre 27 e 28 °C bastante freqüentes e também de 30-
31 °C. A intensidade luminosa mais utilizada para o desenvolvimento da parte
aérea das plântulas foi de 90 (mol/m2/s, fornecidos por lâmpadas fluorescentes
brancas, com fotoperíodos variando de 12 a 16 horas. Na grande maioria dos
trabalhos os tecidos foram inoculados em tubos de ensaio, com medidas
aproximadas a 180 x 25 mm. Com relação à desinfecção, fragmentos de raízes
geram sérios problemas, em virtude da alta contaminação. As inflorescências
jovens têm a vantagem de fornecer material asséptico, pois apresentam-se
inseridas em espatas protetoras. A espata externa é devidamente lavada com
hipoclorito de sódio a 6% v/v (Branton & Blake, 1983).
Experimentos com a cultura de tecidos de inflorescência de três variedades
do coqueiro estarão sendo realizados a partir do primeiro semestre de 1999 em
uma parceria entre a Universidade Federal de Alagoas e o CPATC, na tentativa
de conseguir, num período de dois anos atingir o estágio de produção de
embriões somáticos.
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méthode di determination du coprah. Oléagineux, v.33, n.5, p.225-233, 1978.
Fonte:http://www.cpatsa.embrapa.br/catalogo/livrorg/coco.pdf

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